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Qual tipo de parto eu devo escolher?

Todo mundo sabe que a vida é cheia de desafios, mas só descobrimos as dificuldades da vida ao longo do nosso crescimento e da nossa maturidade. Quando crianças não pensávamos na dor do joelho arranhado antes de subir na árvore. É natural que as crianças se desafiem porque não entendem as consequências dos seus atos e por isso não têm medo de se machucar.


Mas ao longo do tempo, e depois de muito joelho ralado, todo mundo começa a desenvolver um senso de proteção e segurança para diminuir os riscos e se proteger de novos acidentes, não é mesmo? E isso faz parte da vida. É normal não querermos mais sentir dor depois de tanto sofrer as consequências das péssimas decisões.


Acontece que tenho visto nessas novas gerações um bloqueio exacerbado, um medo exagerado que tem tomado conta do bom senso. Pessoas que estão tão fragilizadas que, sem nem mesmo sentir suas próprias dores, se apoderam das dores dos outros e desenvolvem medos do que nunca sentiram. É como nunca ter provado jiló e mesmo assim dizer que não gosta (jiló é bom demais, diga-se de passagem).


Isso em certo ponto pode ser normal, ser uma ferramenta de preservação das novas gerações. Mas vejo que sem senso crítico, sem conhecimento da consequência de algumas atitudes, essa forma de pensar pode trazer resultados mais sérios e que não foram colocados na balança.


Falando sobre esse medo da dor e trazendo isso para o nosso mundo, a fotografia de parto, tenho visto com certa frequência muitas mães de primeira viagem optando pelo parto cesárea porque tem medo das dores do parto normal.


Entenda que a escolha do tipo de parto que a mulher deseja ter é exclusivamente dela, salvo situações que necessitem de intervenção médica por questão de saúde e segurança da mãe e do bebê, e não cabe a ninguém fazer essa escolha, julgá-la ou criticá-la por isso. Longe de mim fazer qualquer juízo da escolha de ninguém.

A questão aqui é apenas alertar às futuras mamães algo que poucas pessoas falam e que pode de certo modo ajudá-las a ter mais conhecimento da situação e entender melhor sobre as consequências das suas escolhas.


Primeiramente vamos falar dos tipos de parto que existem. Sem desmembrar formas e atuações de cada um deles, basicamente o parto pode ser normal (ou vaginal) ou cesárea (processo cirúrgico).

O parto normal, como o próprio nome já diz, é aquele que o nosso corpo foi "programado" para fazer sozinho, é uma ação fisiológica do nosso organismo a expulsão do bebê no momento em que ele se encontra pronto para nascer. É um processo doloroso? Sim, não vou mentir pra ninguém. No meu caso foram 17 horas de trabalho de parto e dessas umas 7 horas de muita dor até minha filha nascer. Isso não quer dizer que para todas as mulheres é assim. O meu parto teve que ser induzido, minha filha não estava encaixada e eu não tinha nenhuma dilatação quando a bolsa estourou, por isso, todo o processo do bebê se encaixar e a abertura da pelve, foram processos dolorosos que ocorreram nessas 7 horas que falei. E mesmo sabendo a dor que senti, escolheria tê-la todas as vezes que me perguntam como foi ter um parto normal.


Para muitas mulheres nem existe tanto tempo de dor assim. Ao longo dos anos em que trabalho fotografando partos, foram poucas as que vi com tanto tempo quanto eu. Já tive clientes que tiveram o bebê de parto normal em menos de 40 minutos depois de dar entrada no hospital. Algumas com mais tempo de dor que pedem pela anestesia (o que pode comprometer um pouco a evolução da expulsão do bebê), outras que a suportam e têm seu bebê naturalmente, sem nenhuma interferência médica (aqui devo parabenizá-las, porque é excepcional ver a força que a mulher tem naturalmente e que às vezes nos esquecemos).


Já a cesariana é o procedimento cirúrgico onde o bebê é retirado através de um corte na região abdominal da mãe que pode ser agendado previamente com base no tempo gestacional. Isso quer dizer que o bebê ainda não está pronto para nascer? Não. É claro que só é feita a cesariana no tempo em que o bebê já está com sua formação completa (normalmente a partir da 38ª semana de gestação), ou quando o médico diagnostica algum risco para mãe e/ou para o bebê. Mesmo sendo considerada uma cirurgia de baixo risco, a cesariana tem de sete a dez vezes mais chances de complicações que o parto normal. Isso sem falar que apesar de não sofrer com as dores do parto normal, estamos falando de uma cirurgia o que implica cuidados e dores do pós-parto.


Sim, sou adepta fervorosa do parto normal e por isso vou parar por aqui meus apontamentos negativos de se escolher um parto cesárea. Como disse essa escolha só cabe a mulher parturiente. Mas vou adicionar abaixo alguns prós e contras de cada parto, pela minha visão, como mulher, mãe e profissional:


Previsibilidade - No parto normal o momento do nascimento é imprevisível enquanto na cesariana os pais juntamente com o médico podem agendar um dia e horário certos para o bebê nascer.


Prematuridade - O parto normal só acontece quando o bebê já está pronto para nascer, com o início das contrações ou o estouro da bolsa. É a hora dele, podendo demorar até 42 semanas para isso acontecer (claro com o acompanhamento médico para saber se está tudo evoluindo bem com o bebê). No parto cesária, apesar do bebê estar clinicamente pronto e completamente formado, ainda existe maior chance de o sistema nervoso e respiratório do bebê não estarem amadurecidos o bastante. São as contrações do trabalho de parto que vão preparando o bebê para o que ele viverá aqui fora.


Passagem pelo canal vaginal - A passagem do bebê pelo canal vaginal no parto normal ajuda na eliminação dos líquidos das vias aéreas e traz benefícios para seu sistema imunológico ao longo da vida, enquanto bebês nascidos de cesárea podem demonstrar mais desconforto respiratório e ter um sistema imunológico mais debilitado.


Tempo de parto - O parto normal pode ser longo e cansativo tanto para a mãe quanto para o bebê e nesse processo, caso o bebê apresente sinais de estresse ou a mãe apresente sinais de risco à saúde, pode ser necessário a intervenção cirúrgica. Já no parto cesária o processo cirúrgico é rápido e controlado, mas ainda sim podem ter intercorrências e emergências.


Dor - No parto normal, a dor das contrações pode vir associada a dor pélvica durante o encaixe e passagem do bebê, podendo ser solicitada analgesia por parte da gestante, mas depois da expulsão não se sente mais nenhuma dor. Dependendo do tamanho do bebê e da posição em que ele estiver, pode ocorrer laceração perineal (pequenas lesões na região da vagina durante a passagem do bebê) e nesse caso, algumas situações podem precisar de pontos. No parto cesariana a analgesia é feita antes da intervenção cirúrgica e a mãe não sente nenhuma dor nesse processo, embora ela sinta a manipulação e/ou outras sensações como falta de ar e náusea, além de enfrentar as dores do corte da cirurgia no pós parto.


Participação - O trabalho de parto normal, apesar de acontecer junto com médicos e enfermeiros, é um processo que basicamente depende da gestante. É durante esse processo que nós, mulheres, entendemos a força e o poder que temos como indivíduo. No parto normal, a participação do pai também se mostra muito importante, pois nesse tipo de parto o pai pode estar mais presente e ativo, ajudando sua companheira com massagens, dando apoio e se mostrando mais presente. No parto cesariana, infelizmente a gestante não consegue sequer ver o bebê nasccer, pois é colocado um campo estéril a sua frente, para a proteção tanto da equipe quanto da paciente. Com isso, a mãe apenas sente os médicos manuseando seu corpo e depois é apresentada ao bebê recém nascido. Nesse processo, o pai pode também dar seu apoio para sua companheira, mas aqui, sua atividade fica mais limitada.


Amamentação - No parto normal, o corpo da mãe passa por um processo hormonal que desencadeia a produção de leite e com isso a amamentação é mais fluida e a amamentação pode ocorrer logo após o nascimento, ainda na sala de parto. No parto cesária o corpo da mãe não passou por este processo e por isso pode ter maior dificuldade em começar o processo de amamentação. Além disso, é mais difícil para a mãe carregar o bebê no colo nos primeiros dias por conta da cicatrização da cirurgia.


Independente do tipo de parto escolhido, a mulher assim como o bebê merecem respeito e cuidado individualizado desde o pré-natal para garantir um nascimento saudável e sem riscos.


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